Assim como Francisco, sejamos Epifania do Senhor

Mensagem litúrgica e homilia da solenidade da Epifania do Senhor, domingo, 7 de janeiro de 2017. Celebração da Igreja de portas abertas por Aquele que é o Alfa e o Ômega.

A glória do Senhor sempre se manifestou e sempre se manifestará entre nós, até a sua vinda no final dos tempos. Nos ritmos e nas vicissitudes do tempo, recordamos e vivemos os mistérios da salvação, e o centro do ano litúrgico é o Tríduo do Senhor crucificado, sepultado e ressuscitado, que culminará no Domingo da Páscoa, neste 2018, a ocorrer no dia 1o de abril. Em cada domingo santo, nós comemoramos uma páscoa semanal, relembrando que Jesus Cristo venceu o pecado e a morte. É da celebração da Páscoa que derivam todas as demais celebrações do ano litúrgico, as Cinzas, do início da Quaresma, a 14 de fevereiro, a Ascensão do Senhor, a 13 de maio, o Pentecostes, a 20 de maio, até o primeiro domingo do Advento, a 2 de dezembro neste ano. Também as festas, da Santa Mãe de Deus, dos Apóstolos, dos Santos, e da comemoração dos Fiéis Defuntos. É a Igreja peregrina sobre a Terra proclamando a Páscoa do Senhor!

É uma alegria celebrar a festa da Epifania, que marca o fim do tempo do Natal, a entrada de fato no Tempo Comum. A Folia de Reis, que hoje celebramos, é uma das festas mais celebradas do Brasil, um misto de fé cristã e fé pagã, a Festa do Divino. Uma festa que traduz o que a Igreja tenta ensinar por meio da liturgia, um marco de um grande projeto de Deus, que se iniciou no Antigo Testamento. Um projeto que buscou ensinar ao povo de Israel, que ele, apesar de herdeiro de Deus, não era o único a ser merecedor dessa herança, mas sim, todos os demais povos, foi para isso que Jesus Cristo vem até nós. Um projeto que não seria mais apenas de um único povo, mas um projeto universal de abertura do Templo de Israel. Como nos diz Paulo, na Segunda Leitura, (Ef 3, 2-3a.5-6), a partir de Jesus Cristo, todos se tornam herdeiros das promessas de Deus, e os pagãos são submetidos à mesma herança, por meio do Evangelho. Paulo, um pagão, a quem Deus a missão de ser o apóstolo de todas as nações. A festa da Epifania significa isso! A revelação de Deus a todos os povos por meio dos reis magos, que como nós, que não eram originariamente o povo a quem a herança foi primeiramente prometida, como nos conta o Evangelho de Jesus Cristo segundo Mateus (Mt 2, 1-12). E como podemos alcançar essa herança? Atentando para os sinais de Deus, em primeiro lugar, e depois nos movimentando, nos direcionando para onde esses sinais nos indicam. Porque a nossa Igreja é a Igreja de portas abertas! Do contrário, a Igreja estará traindo Àquele que é o centro de todas as coisas, o Alfa e o Ômega.

Comunidade Franciscana, a festa da Epifania acontece para nos dar a certeza de que Deus fala conosco. Mas precisamos estar sintonizados para perceber esses sinais, precisamos voltar o nosso coração a Deus, para vermos a Estrela de Belém das nossas vidas. São Francisco se revela um grande testemunho nesse sentido, deixando seus projetos humanos e suas preocupações pessoais para contemplar a natureza e louvar e glorificar a Deus, e assim, a cada passo de sua caminhada, atento para o que o Senhor falava para ele por meio das criaturas, pôde experimentar profundamente a festa da Epifania, abraçando todas as criaturas, e pôde tornar-se epifania para o próximo, inclusive àquele próximo com quem temos alguma diferença, alguma dificuldade em conviver. Esse registro da Festa da Epifania se cruza com o caminho franciscano de forma ainda mais forte, ao lembrarmos que São Francisco de Assis foi o santo da paz. Inclusive, neste ano, comemoramos oitocentos anos do encontro de Francisco com o Sultão. Um encontro que em tempos de cólera, de guerra, Francisco se faz pequeno e útil, oferece a mão, uma palavra, um abraço, acolhida, e simplesmente fala de amor, de paz, fala de Jesus Cristo. E o Sultão se permite ouvir. Francisco não estava armado contra o seu suposto inimigo, se despojou, se apresentou menor, como acreditava ser, conseguiu obter a compreensão do Sultão, e fez com que os mulçumanos acolhessem o cristianismo como religião

Precisamos incluí-Lo, acolhê-Lo, assim como o fez Jesus, que Deus, se fez menino, inocente, frágil, para ser acolhido, e como proclamou a Primeira Leitura (Is 60, 1-6), levantar, acender “as luzes, porque chegou a tua luz, apareceu sobre ti a glória do Senhor”. Que possamos a cada dia dialogar com o nosso Deus, sendo epifania para o nosso próximo através de todas as coisas e criaturas, pedindo que Jesus nos conceda a graça de sermos pequenos, úteis, e que Ele nos revele o mesmo espírito de simplicidade e sabedoria que marcou o coração dos reis magos e o coração de São Francisco de Assis.

Paz e Bem!

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