Homilia do Frei Luís Felipe Marques: Que saibamos lavar uma louça!

Mensagem Litúrgica da Santa Missa de 4 de novembro de 2018, ocasião em que houve Profissão Perpétua na Ordem Franciscana Secular (OFS). Primeira Leitura (Ap 7,2-4.9-14), Responsório (Sl 23), Segunda Leitura (1Jo 3,1-3), e Evangelho (Mt 5,1-12)

Nesse domingo, em que celebramos a multidão do Santos que celebram e louvam o Senhor, nossa primeira missão no caminho da santidade, é reconhecer que Deus é santo! Como nós franciscanos nos propomos a fazê-lo, assim como São Francisco nos ensinou. O segundo caminho é a Liturgia, que nos convida a sermos santos! O Senhor é nosso verdadeiro santo, como nos ensina a Segunda Leitura. A festa de Todos os Santos nos convida a reconhecermos a todos aqueles que escolheram trilhar o caminho da santidade, tanto que hoje celebramos os santos desconhecidos e todos aqueles que nos precederam nessa caminhada evangélica, e que às vezes estávamos mais próximos de nós do que imaginamos. Quantos de nós já convivemos com tantos santos? Hoje nós celebramos os santos cotidianos, como exortou o Santo Padre, Papa Francisco. Os verdadeiros santos são aqueles que vivem seus sacrifícios diários, mas não desistem e perseveram, como nos ensinam as bem-aventuranças que constam do Evangelho, mesmo com o mundo pregando tudo ao contrário do que diz a Liturgia, que traz o perfil de Cristo e que deve ser o caminho franciscano, reconhecendo a grandeza de Deus, sendo nós, humanos, menores.

Deus escolheu hoje, três irmãos, Elizabete Nepomuceno Raiol Lopes, Ladjane Dantas Bandeira e Rogério Cirineo Sacco para receber essa Profissão Perpétua, não porque eles são os melhores, mas sim porque eles são os piores, provando que não basta uma fé morna, é necessário o esforço para uma vida de fraternidade, de compromisso cotidiano e obediência. Faz-se necessário fazer sempre mais, pois é bom dar a vida por nossos irmãos! E ser santo é viver essa angústia entre viver a vida do Evangelho e a nossa vida cotidiana.

Precisamos perguntar qual é o sentido da vida, para que não sejamos esse homem do Século 21, que deixa de ser perguntar e acaba tirando sua própria vida. O sentido da vida, a santidade, é o Evangelho. Mesmo que precisemos dar testemunho, que o nosso testemunho não seja de coisas grandiosas, mas sim do nosso dia a dia, pois a santidade não está no extraordinário, mas sim, no ordinário, no que procuramos e desejamos todos os dias, como nos propõe a vivência franciscana. Que tenhamos uma vida de doação e renunciemos o moralismo! O verdadeiro homem franciscano é aquele que tem um olhar diferente diante das coisas, como nos propõe o Evangelho e Jesus Cristo. Precisamos pedir misericórdia e oferecer misericórdia, sempre!

O que mais me admira, Frei Luís Felipe Marques (OFMConv.), em São Francisco, foi a capacidade humana dele de ser santo, a humanidade dele me impressiona, de ser um santo humano, a verdadeira grandeza de Francisco. E nesse dia tão solene desses irmãos e de nossa fraternidade, que possamos continuar nossa vida de mudança, de missão, de Evangelho, pois foi Deus quem nos escolheu. Que tenhamos a santidade de Francisco, vivendo em penitência e em oração, e em fraternidade, para nos amarmos uns aos outros cada vez mais. Os reais franciscanos são aqueles que “sabem varrer um chão, lavar uma louça”, ou seja, estarem a serviço. E por fim, que não passemos o tempo a murmurar, ou a reclamar, pois senão de nada adianta estar no caminho da santidade. Que possamos vencer as tribulações louvando ao Senhor, proclamando-o como Santo, Santo Santo, o Senhor Deus do Universo!

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