Não perca de vista seu ponto de partida

Mensagem litúrgica da Festa de Santa Clara de Assis, 11 de agosto, Santa Missa das 18h30, celebrada por Frei Bernardo Vitório (OFMConv.). Primeira Leitura (1Rs 19,4-8), Responsório (Sl 33), Segunda Leitura (Ef 4,30-5,2), e Evangelho (Jo 6,41-51).

Por Letícia Oliveira (Pascom)

Na homilia da Solenidade de Santa Clara, Frei Bernardo sustentou que a mensagem litúrgica deste 19º Domingo do Tempo Comum é profundamente ligada à Santa Clara, comemorada nesta data. Vejamos porque:

Ao longo do Tempo Comum, Jesus salienta a importância de compreendermos que a salvação vem do Pai. Para sermos de fato irmãos e discípulos do Senhor precisamos ouvir o chamamento de Deus, na total obediência aos ensinamentos de Nosso Senhor Jesus Cristo, pois apenas assim conseguiremos saciar nossas almas e nos sentirmos iluminados com a luz divina que vem do céu. Assim deixaremos de lado a perspectiva do individualismo, para passarmos a olhar para o coletivo, e ver no irmão o rosto de Deus, deixando-nos conduzir a Cristo, deixando-nos ser atraídos pela voz de Deus em nosso interior. Clara foi, certamente, uma mulher à frente de seu tempo, que provou e viu quão suave é o Senhor (Sl 33) e que, ao longo de sua vida, reconheceu em Jesus o pão que desceu do céu, comeu, e jamais morrerá em nossos corações. Esse testemunho de vida, com aconchego e acolhimento, a fazia ser uma mulher muito procurada no Mosteiro de São Damião, em Assis, onde eram abrigadas as Damas Pobres. Inclusive pelo Sumo Pontífice da época.

Num contexto em que se fala de ser atraídos para Jesus para que sejamos saciados, a lembrança dos milagres, em vida, das bênçãos dos pães de Santa Clara é uma experiência de obediência, servidão e de vida radical no Evangelho. Sem deixar de lado a infinita bondade, misericórdia e alegria do amor do Senhor. Frei Bernardo nos contou as histórias, a primeira, de quando de uma das visitas do Sumo Pontífice, em que o Papa a pediu para abençoar os pães da refeição, e ela se negou primeiramente por não se achar detentora de tamanha envergadura diante da presença do Papa, mas depois, em obediência e servidão, abençoou os pães, e o sinal que todos puderam testemunhar foi a marca dos pães com o Sinal da Cruz após a bênção. Num segundo milagre, preocupada com um certo dia em que o pão faltaria para alimentar as irmãs, pois havia sido repartido com os irmãos que eram encarregados de pedir esmolas para as damas pobres. Santa Clara pediu confiança na partilha das 50 fatias do pedaço do pão, que se multiplicou e serviu com fartura a todas as Clarissas.

Essas histórias nos mostram que Santa Clara foi uma mulher que nunca quis viver nada de próprio, e sempre esteve numa busca de um mundo físico em que fosse possível abrir mão da própria vida em prol do próximo, obedecendo e servindo. Tanto que por isso, ainda antes de seu falecimento, conseguiu do Papa o estabelecimento de uma dinâmica própria para a vida das damas pobres. Esse foi o ideal de Clara, um ideal que ela passou por cartas para Santa Inês de Praga, outro exemplo de vida em retidão no Evangelho, ideal que devemos desejar que seja o nosso ideal também, para que, assim como ela recomendou a Inês, não percamos, nunca, o nosso ponto de partida, que é Nosso Senhor Jesus Cristo, pão vivo que desceu do céu.

Veja as fotos da Santa Missa de 11 de agosto.

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