Para a força regeneradora do Natal do Senhor renascer em cada um de nós!

Mensagem litúrgica e homilia da Santa Missa de Vigília pelo Natal, 24 de dezembro, Leituras, Segundo Livro de Samuel (2Sm 7,1-5.8b-12.14a.16), Responsório (Sl 88), Carta de São Paulo aos Romanos (Rm 16,25-27), e Evangelho (Lc 1, 26-38).

Ana Pimenta (Pascom)

Dia de alegria e festa para a Igreja, dia da memória de um grande poder de Deus para nós, projeto da encarnação, para o qual deveríamos dar toda a relevância e, inclusive, fazermos uma cerimônia semelhante à celebração da Páscoa, pois ela contém a mensagem da redenção. As duas consistem na mesma matéria, a encarnação e a redenção.

O Messias, o Cristo, o Senhor, é o esperado! Como se vê ao longo do Antigo Testamento, porque que Ele representava esperança, libertação, tempos novos, alegria! A festa de hoje é a Festa da Luz, do grande sol, da vitória sobre as trevas. Lembrando que o hemisfério norte, nessa época do ano, vive o inverno, o frio, a escuridão, e a data de 24 de dezembro é tida como a maior noite do ano. E quem haveria de vencer a escuridão da maior noite do ano? O grande sol, que viria, raiaria, subiria o horizonte para trazer a esperança e despontar trazendo a todos a vida, a esperança e a fé. No nascimento dessa criança, nós recordamos toda a paixão de Cristo, mas de uma forma terna e singela, pois se revela por meio de um momento em que toda a humanidade se enche de alegria, quando do nascimento de um recém-nascido, de uma criança. Deus não quis nos deixar abandonados, mas sim suscitar a fé, a singeleza, o amor, o afeto, a alegria e a esperança.

Foi um período em que toda a fragilidade humana foi colocada à prova, por causa do pecado. Contudo, havia a promessa da salvação. Da virgem haveria de nascer a haste da tribo de Jessé, de Judá, que seria o Senhor, o salvador! Essa promessa foi proclamada pelos profetas do Antigo Testamento a Acaz, “Emanuel conosco!”, para trazer a alegria, e a Davi, “fui eu quem te escolhi! Não Davi, tu não vais Me construir uma casa, mas Eu irei construir uma grande casa em você!”. Davi era o próprio templo, pois ele seria o pai de um grande rei, Salomão, entre outras profecias.

A peculiaridade de ser Franciscano, neste contexto, está na doçura e na profunda sintonia que São Francisco de Assis tinha com esse Deus, tão íntima sobre aquilo que o Senhor queria fazer na vida dos seres humanos. Francisco entendeu que no gesto de humildade e pequenez que se resume em Jesus criança, e em profunda sintonia com esse Deus humilde e pequeno, criou em 1223, na Itália, o primeiro presépio, para reverenciar esse momento de profunda beleza. Os antigos, assim como nós, enxergaram em Jesus não esse projeto de salvação, mas como um protótipo da humanidade, esperando que Ele viesse imponente, avassalador, arrojado, enfim, com coroa e cetro de ferro para esmagar a cabeça dos nossos inimigos. Mas Jesus não se apresentou como um rei que desejava guerrear, mas sim como um rei que desejava regenerar as nações e os corações! Jesus vem, a cada noite de natal, nos convidar para sermos cada vez mais humanos, e nos mostrar qual deve ser a nossa verdadeira humanidade, e quais devem ser os sentimentos presentes no coração do ser humano. É isso que o natal deve representar em nossos corações! Para além de todas as lindas festas que realizamos neste período, festas justas e necessárias! Mas o grande motivo de estarmos aqui é que Deus se fez homem para nos regenerar, regenerar os nossos corações, o nosso jeito de ser, os nossos projetos, e mudar a nossa leitura do mundo. Deus está no alto, e estando no alto Ele quis nos ensinar a estar no alto, por meio da pequenez. No Natal, devemos desejar, não que Deus facilite os nossos caminhos, mas que Ele nos faça pequenos, para que os nossos projetos entrem em sintonia com os projetos Dele. Pois o próprio Deus quis apequenar-se para nos ensinar o caminho da paz. Precisamos deixa-Lo preencher os nossos corações e pedir a Deus que nos perdoe, e nos fazemos pequenos como Deus assim o fez. E acreditar que Deus se fez humano, como à época não acreditaram. E é por isso que hoje estamos aqui celebrando, mesmo não sendo esse caminho um caminho fácil. Caminho esse que o Senhor quer nos ensinar. Peçamos que o nosso coração seja regenerado, que nossas manias e loucuras sejam curadas, que os nossos vazios sejam preenchidos, e que os nossos medos sejam jogados para fora. E que possamos devolver esse presente de Deus por meio de um coração grato. Que aprendamos o caminho de gratidão a Deus!

E agradeçamos por todas as graças e bênçãos que Deus operou em cada uma de nossas vidas neste ano de 2017, e possamos dizer, muito obrigado Senhor! Gratidão por nossas famílias, por nossos bons momentos, mas também pelos nossos momentos difíceis, em que pudemos crescer, e reconhecer a grandeza deste Jesus criança no meio de nós. E mesmo, diante de todas as trevas que tenhamos em nosso coração, possamos dizer, nessa noite, Ele está no meio de nós! Ele nasceu no meio de nós! E por mais difícil que seja, agreguemos o nosso próximo neste contexto, sendo capaz de perdoar, levantar a cabeça, amar, e estender a mão ao nosso próximo.

É por meio do caminho da gratidão que conseguimos reconhecer a grandeza do menino Jesus e de tudo de maravilhoso que Ele desperta em nós: vitalidade, fé, esperança…enfim, uma nova Luz. É Natal! Todas as trevas do nosso coração se dissipam, e nos alegramos em dizer que Ele está no meio de nós. Ele é o menino Jesus que veio afastar a escuridão da humanidade.

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